Gripe espanhola: há mais de 100 anos, vírus matou cerca de 50 milhões de pessoas pelo mundo - BLOG DO ILDER COSTA

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Gripe espanhola: há mais de 100 anos, vírus matou cerca de 50 milhões de pessoas pelo mundo

102 anos da mãe das pandemias: o vírus influenza causou a epidemia mais mortal da história — foram milhões de vítimas. Será que a história vai se repetir?

Gripe espanhola em 1918: as pessoas morriam pouco depois de chegar aos hospitais. Foto: web

Na primavera de 1918, uma doença começou a varrer o planeta: um vírus letal que infectou um terço da população mundial.

Tão misteriosa quanto a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus - pandemia que hoje desafia as autoridades de saúde -, a gripe espanhola infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época, o que levou à classificação de maior pandemia de todos os tempos.

Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões a 50 milhões. Só no Brasil foram cerca de 30 mil mortes.

A gripe espanhola se espalhou pelo mundo de forma mais lenta, especialmente
por meio de navios e trens de passageiros.  Alguns lugares
permaneceram meses ou até mesmo anos sem serem afetados.
Mas aqueles que conseguiram manter a gripe afastada por um certo tempo
geralmente empregaram técnicas básicas que ainda são usadas um século
depois.
No Alasca, uma comunidade na Baía de Bristol escapou da gripe quase
incólume ao fechar escolas, proibir reuniões públicas e impedir o acesso à vila
pela estrada principal.
A gripe espanhola começava com os mesmos sintomas de uma gripe normal: dor de cabeça, febre alta, cansaço e mal-estar. 

Porém, os sintomas logo evoluíam para um quadro com manchas no rosto, pele azulada pela falta de ar, tosse com sangue e hemorragia interna. As pessoas morriam pouco depois de chegar aos hospitais.

Conselhos dados na época não diferem muito dos atuais: isolamento e higiene. Foto: web

A origem é desconhecida, mas o que se sabe é que os primeiros registros foram nos Estados Unidos, ainda durante a guerra. O novo subtipo do vírus Influenza chegou à Europa meses depois. Mas foi o governo da Espanha que notou que estava diante de uma doença grave, daí seu nome [gripe espanhola].

A primeira onda de casos ocorreu de março a maio de 1918. Foi apenas em agosto que a gripe espanhola começou a assustar. Mais virulenta, atingiu seu auge entre setembro e novembro, outono no Hemisfério Norte.

Além da Europa e dos Estados Unidos, o vírus circulou na Índia, Sudeste Asiático, Japão, China, África, Américas Central e do Sul. 

Foi nessa segunda onda que a doença chegou ao Brasil. Militares da Marinha, que estiveram em missão na África durante a guerra, retornaram em setembro. Pelo menos 100 marinheiros morreram na época.


No mesmo mês, navios que atracaram em estados da Região Nordeste ajudaram a disseminar ainda mais a doença, que alcançou a Região Norte, que registrou os primeiros casos em novembro. O vírus também chegou a São Paulo e à capital brasileira na época, o Rio de Janeiro.

O medo acabou criando um isolamento forçado de toda a população, já que o governo demorou a enfrentar o avanço da pandemia. 

Pelo menos 30 mil morreram em decorrência de gripe espanhola no Brasil. Só o Rio de Janeiro teve 12 mil óbitos em dois meses.

Porto Alegre, na época com cerca de 140 mil habitantes, teve que construir um cemitério para enterrar seus 1.316 mortos. Em outubro, o governo federal finalmente reconheceu que teria dificuldades para diminuir o número de casos.

O presidente da República à época, Venceslau Brás, convocou o médico sanitarista Carlos Chagas para liderar a força-tarefa de combate à gripe espanhola na capital federal. A doença atingiu todas as classes sociais, sem distinção também de idade.

Uma das vítimas mais ilustres foi o presidente eleito Rodrigues Alves, que conquistou mais um mandato no fim de 1918. Morreu em 15 de janeiro de 1919, alçando o vice-presidente eleito Delfim Moreira ao cargo máximo do País.

Essa pandemia acendeu um alerta para as autoridades de saúde. Não havia na época sistemas públicos de saúde nem campanhas de vacinação em massa contra a gripe, que vieram a ser implantadas nas décadas seguintes. 

A pandemia acabou naturalmente após afetar grande parte da população mundial, com o último caso registrado em 1920.


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